Crónicas do Gin
GinT
A GinT - as suas origens, história e espírito
A GinT nasce de uma paixão renascida pelo gin. Tiago Sanches, desde muito novo, partilhou, por diversas vezes, momentos “gínicos” com amigos e familiares.
A partir de 2014, em parceria com a sócia Rute Silva, começou a explorar o mundo dos gins “new age”, começando por provar o maior número de gins possíveis, testando algumas receitas de gin tónico.
No dia dos namorados, em 2016, a sua mulher ofereceu-lhe um livro – “Vamos Beber um Gin” escrito pelo Miguel Somsen e Daniel Carvalho. Esse livro fascinou-o, porque mostrou que o Gin não é só gin. As diferentes formas de fazer gin, a infinidade de ingredientes que podem ser usados, faz com cada gin seja uma história. Cada gin é um capítulo da vida do seu criador. 99% dos gins foram criados e têm uma história por trás, contêm algo muito especial do seu criador. É quase como pintar um quadro ou escrever um livro – cada gin tem o seu estilo, a sua assinatura. Por isso é que a assinatura da GinT é – “Beba para Recordar, Não para Esquecer!” | “Drink to rememeber, not to forget!”
Depois daquele livro seguiram-se muitos mais, sempre relacionados com a produção de bebidas espirituosas – temas como a História do álcool, plantas e botânicos, química, destilação, diferentes bebidas espirituosas, métodos de produção, etc.
Seguiu-se uma formação em Londres: Level 2 em Spirits pela WSET e um workshop – “How to open a distillery” e a parte letiva do “The General Certificate in Distilling” pelo Institute of Brewing and Distiling.
Um dia, entre amigos, decidiu-se por abraçar o desafio: fazer um gin. Iniciou-se o Business Plan, com o nome de GinT. Em 2017, no âmbito do programa Portugal 2020, o programa SI2E, nasce a empresa Rota Glaciar, Lda (entidade fiscal da GinT – Premium Spirits).
O Gin e a casca de figueira.
Com família paterna transmontana, passou muito da sua infância numa aldeia perto de Mogadouro, chamada Vilarinho dos Galegos. Os verões eram extremamente quentes e a melhor sombra era de uma enorme figueira no quintal da avó. Durante o verão as figueiras têm um aroma característico e que gravou memórias de infância que emergem sempre que sente aquele aroma. Foi assim que surgiu o primeiro Gin, o GinT Rubro.
A destilação
Preferencialmente, é utilizado o método London Dry, onde os botânicos são todos macerados em conjunto e depois feita a destilação. As receitas nunca têm mais de 10 a 13 botânicos, sendo que a base pode variar entre 4 e 5 botânicos e depois utilizam-se os restantes para dar caráter e identidade próprias. Os botânicos são todos de origem natural (secos ou frescos), nacional ou não. E partem sempre de um álcool base neutro de origem de cereal.
No desenvolvimento de cada gin, importa o equilíbrio e harmonia geral, sem comprometer a sua identidade. Os gins são suaves, em termos da sensação do teor alcoólico, mesmo com os 58% do GinT Rubro. Há sempre a preocupação que haja sempre um princípio, meio e fim, de forma que se possa sentir o gin nas suas diferentes fases do consumo. Ou seja, o momento em que se bebe, durante a sua passagem/permanência na boca e o fim de boca depois de ingerido (after taste). Todas estas fases apresentam sabores e sensações diferentes conferindo uma complexidade muito interessante e um grande prazer de degustação.
A destilação é feita por lotes, num alambique de cobre tradicional com um capacete inglês.
Os gins com estágio em barrica partem sempre do GinT Rubro que, devido à sua carga botânica é mais adequado à harmonização com os sabores e aromas que as barricas aportam. A linha de envelhecidos é conjugar o gin português com barricas nacionais, ou seja, produtos nacionais que se destacam pela sua diferenciação. Exemplos: Vinho do Porto, Whisky Português, Moscatel, Angélica, etc.
Os Gins da GinT
Todos os gins têm uma ligação a Portugal, às pessoas da GinT e às suas memórias.
O GinT Rubro, desde a embalagem aos ingredientes, foi todo pensado em ser algo muito especial.
O GinT Hysson, o 2º gin de portfólio, tem uma ligação muito forte à Rute Silva, que cresceu nos Açores. O chá verde da Gorreana é o ingrediente assinatura. O rótulo foi desenvolvido pela ilustradora Ana Gil que foi quem ilustrou o livro “Vamos beber um Gin”.
O GinT Heads & Tails, foi uma experiência durante o COVID, cuja ideia partiu do seu pai, e que é algo inédito na indústria do gin e que tem vindo a fazer sucesso ao longo dos anos.
Os GinT 2020, GinT 2021 e GinT 2022 são o GinT Rubro que estagiam em barricas de Vinho do Porto.
Finalmente,o GinT Spirit, que não é um Gin, mas sim uma vodka aromatizada com a casca de figueira.
Best server
Os gins GinT são perfeitos tanto para os gins tónicos como para a mixologia.
Os gins envelhecidos foram desenvolvidos para serem degustados simples, com um dash de água ou “on the rocks”. São, também, excelentes bases para alguns cocktails clássicos como por exemplo o Negroni, Gin Old Fashioned.
O meu agradecimento ao Tiago Sanches da GinT pela disponibilidade e colaboração.
Espero que tenham gostado da crónica desta semana.
Até à proxima Crónica do Gin.










Parabéns pela excelente crônica de um excelente e maravilhoso gin português 💙🤩.